segunda, 27 maio 2013 16:00

Formação do Corpo Expedicionário Português CEP

O Corpo Expedicionário Português começou por adoptar a organização de uma divisão reforçada à semelhança do modelo organizativo português constituído por três brigadas, sendo cada uma delas composta por dois regimentos de infantaria a três batalhões. Contudo, como o CEP iria ser integrado no 1º Exército Britânico cujas divisões eram menores do que as portuguesas, determinou-se aumentar o escalão do CEP transformando-o em Corpo de Exército a duas divisões igual ao modelo inglês. Independentemente, outros pequenos acertos, foram aumentados seis novos batalhões de infantaria que se juntaram aos dezoito já existentes. Com os vinte e quatro Batalhões foram organizadas seis Brigadas (três em cada divisão), extinguindo-se o escalão intermédio de regimento.

Com essas alterações o Corpo Expedicionário Português ficaria organizado do seguinte maneira:

  • Quartel-General do Corpo;
  • Quartel-General da 1ª Divisão;
  • Quartel-General da 2ª Divisão.


a) Infantaria

A Infantaria era formada por seis brigadas 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª Brigadas, cada uma com um quartel-general, quatro batalhões de infantaria, uma bateria de metralhadoras pesadas e uma de morteiros ligeiros de trincheira de 75 mm (Stocks).

Corpo Expedicionário Português

1ª Divisão

1ª Brigada

Batalhão Infantaria n.º 21

Covilhã

Batalhão Infantaria n.º 22

Portalegre

Batalhão Infantaria n.º 28

Figueira da Foz

Batalhão Infantaria n.º 34

Mangualde

2ª Brigada

Batalhão Infantaria n.º 7

Leiria

Batalhão Infantaria n.º 23

Coimbra

Batalhão Infantaria n.º 24

Aveiro

Batalhão Infantaria n.º 35

Coimbra

3ª Brigada

Batalhão Infantaria n.º 9

Lamego

Batalhão Infantaria n.º 12

Guarda

Batalhão Infantaria n.º 14

Viseu

Batalhão Infantaria n.º 15

Tomar

2ª Divisão

4ª Brigada

Batalhão Infantaria n.º 3

Viana do Castelo

Batalhão Infantaria n.º 8

Braga

Batalhão Infantaria n.º 20

Guimarães

Batalhão Infantaria n.º 29

Braga

5ª Brigada

Batalhão Infantaria n.º 4

Faro

Batalhão Infantaria n.º 10

Bragança

Batalhão Infantaria n.º 13

Vila Real

Batalhão Infantaria n.º 17

Beja

6ª Brigada

Batalhão Infantaria n.º 1

Lisboa

Batalhão Infantaria n.º 2

Lisboa

Batalhão Infantaria n.º 5

Lisboa

Batalhão Infantaria  n.º 11

Évora

 

b) Artilharia

A Artilharia era constituída por grupos e baterias e englobava as baterias dos morteiros de trincheira, morteiros médios e morteiros pesados:

  • 1º, 2º, 3º, 4 º, 5º e 6º grupos de baterias de artilharia, cada um englobando três baterias de peças de 75 mm e uma de obuses de 114 mm;
  • 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª betarias de morteiros médios de 152 mm;
  • 1ª e 2ª baterias de morteiros pesados de 236 mm.


c) Engenharia

A Engenharia compreendia os telegrafistas de campanha e as companhias de pioneiros. Estas tinham sido formadas pelos pelotões de sapadores dos batalhões de infantaria a partir dos quais se formaram agrupamentos tecnicamente sob os comandos de engenharia das divisões:

  • Companhia de telegrafistas de corpo;
  • 1ª e 2ª Companhias Divisionárias de Telegrafistas;
  • Secção de telegrafia sem fios com duas subsecções divisionárias;
  • 1ª e 2ª Companhias de sapadores de corpo;
  • 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª Companhias Divisionárias de Sapadores Mineiros;
  • Secção de pombais militares;
  • Batalhão de mineiros;
  • 1º e 2º Grupos de Companhias de Pioneiros.


d) Metralhadoras

1º, 2º, 3º, 4º, 5º e 6º Grupos de Metralhadoras, cada um englobando duas baterias de metralhadoras pesadas de 7,7 mm.


e) Serviço e Saúde

  • 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª Ambulâncias;
  • 1ª e 2ª colunas automóveis de transporte de feridos;
  • 1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª secções hipomóveis de transporte de feridos.


f) Outros Serviços 

  • Grupo de esquadrões de cavalaria transformado em grupo de companhias de ciclistas;
  • 1ª e 2ª secções divisionárias de observadores;
  • 1ª e 2ª secções móveis veterinárias;
  • 1º e 2º trens divisionários;
  • 1º e 2º grupos automóveis;
  • 1ª e 2ª companhias de serviços auxiliares.


Base de Retaguarda
Quartel-General da Base
No quartel-general de base encontravam-se os seguintes serviços:

a) Engenharia
Depósito de material de engenharia;

b) Artilharia
Depósito de material;
Oficinas de montagem de munições de 75 mm.

c) Cavalaria
Depósito de cavalaria;
Depósito de remonta.

d) Infantaria
1º, 2º e 3º Depósitos de infantaria.

e) Serviço de Saúde
Hospital de sangue;
Hospitais da base;
Estação de evacuação;
Secção de higiene e bacteriologia;
Depósito de convalescentes;
Depósito de material sanitário;
Colunas automóveis de transporte de feridos.

f) Serviços Administrativos
Lavandarias;
Oficinas de beneficiação de fardamentos;
Deposito de fardamentos e aquartelamento;
Depósito de material de bagagens;
Cantina central.

g) Serviço de transportes automóveis
Grupos de camiões kelly;
Oficina de reparações.

h) Escolas
De gases, metralhadoras ligeiras, pesadas, morteiros de trincheiras, sinaleiros, tiro, observação e patrulhas e preparatórios de oficiais milicianos.

i) Diversos serviços
De expedição de bagagens, registo de perdas, de salvados, oficinas de reparação de máscaras de aparelhos antigás.

Além destas forças incluía outras unidades colocadas sob o comando directo do 1º Exército Britânico:

  • O Corpo de Artilharia Pesada, com dois grupos, cada um com uma bateria de obuses de 233 mm, uma bateria de obuses de 202 mm e uma bateria de obuses de 152 mm;
  • Batalhão de Sapadores de Caminhos-de-ferro;
  • Companhia de projectores de campanha.


Bibliografia

Almeida, A. A. (1968). A Artilharia Portuguesa na grande Guerra (1914-1918). Lisboa: Direcção da Arma de Artilharia.
Carvalho, V. (1924). A Divisão Portuguesa na Batalha do Lys. Lisboa: Lusitania Editora.
Fraga, L. A. (1985). A Participação de Portugal na Grande Guerra. In História Contemporânea de Portugal (Dir. João Medina), Primeira República, (tomo II, pp. 34-53). Lisboa: Amigos do Livro, Editores.
Freiria, F. (1918). Os Portugueses na Flandres. Lisboa: Tipografia da Cooperativa Militar.
Marques, I. P. (2004). Memórias do General Fernando Tamagnini (1915-1919) Os Meus Três Comandos. Viseu: Fundação Mariana Seixas.
Martins, A. (1936). As tropas do 1º Grupo de Companhias de Saúde em França na Grande Guerra. Lisboa: Imprensa Beleza.
Trigo. M. D. (1936). A acção do 2º Grupo de Metralhadoras na grande Guerra, em França (1917-1918). Lisboa: Imprensa Beleza.

 

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